A ciência que sustenta o entendimento do comportamento humano é uma disciplina nova, basicamente 100 anos. Mas graças às contribuições da neurociência, os avanços dos últimos 10 anos são bastante expressivos e até mesmo surpreendentes.
Alguns desses estudos identificam que pessoas com lesões cerebrais em áreas que processam emoções sofrem grandes dificuldades para a tomada de decisões racionais simples.
Um dos casos estudados foi um paciente que sofreu uma cirurgia para a retirada de um tumor nos lobos frontais. Porém, parte do tecido danificado também teve de ser retirado. Após a cirurgia, este paciente começou a mostrar dificuldades para tomar decisões de rotina.
Testes de inteligência, memória e linguagem foram aplicados sem que houvesse quaisquer prejuízos destas funções. No entanto, quando exposto a imagens de forte impacto emocional ele mostrava-se indiferente.
O problema não estava nos aspectos racionais ou intelectuais da tomada de decisão, mas na modificação das estruturas emocionais. Tornara-se insensível e, com esta nova realidade, não conseguia tomar decisões racionais.
Estes estudos demonstram que os dois processos – racional e emocional – são na verdade diferentes etapas de um mesmo mecanismo. Estas constatações têm sido reiteradas por diferentes pesquisadores, em diferentes países, o que nos alerta para a necessidade de desaprender o que sabemos. Desaprender que a tomada de decisão racional não envolve emoção. Desaprender que apenas preço é o que motiva as pessoas. Afinal, conhecimento científico é a base da modernidade.
Texto extraído na integra do Blog da Beth Furtado
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