Texto sem teto.

Um belo dia uma palavra resolveu sair por aí, enfim, ela fora lançada pelo ar sem ao menos ter um propósito. Mas mesmo assim lá estava a linda palavrinha voando pelos prédios, casas, avenidas, e onde mais ela se achava adequada. Imaginem só, nasceu sem propósito e o pior não sabia nem de onde veio. Essa é a história do texto sem teto.

 

Meias palavras proferidas das bocas de desnaturados que sequer sabem o que é o poder da palavra. E assim muitas palavras se tornam órfãs. Tenho minha crença de que palavras valem mais, merecem mais respeito, e acima de tudo, merecem um propósito.

 

E assim acontecem com textos publicitários no oba-oba  das promoções intermináveis que confundem ainda mais a percepção dos possíveis clientes. Sim, digo possíveis pois não acredito em conquistar cliente dessa forma. Ando cabreiro com alguns modismos que vem acontecendo no meio, enfim, eu vivencio muita coisa à respeito. Acredito também que falta mais percepção e atenção por parte de nós profissionais de marketing. Sinto que departamentos comerciais nos sufocam sem ao menos nos ouvir. E aí sem tempo e sem argumento vamos aprovando tudo por “goela” abaixo.

 

Eu acredito que tudo tenha conserto, ainda mais quando a verdade vier à tona. Essa verdade está na cara, mas ninguém quer olhar. E não olham por medo, pra depois se dar conta de que rios de investimentos foram por água. Sou da geração que acredita no conjunto, que ação promocional e ação de endomarketing tem o mesmo valor. Eu quero a minha marca mais humanizada, mas sincera, mas sensata, mais coerente com os anseios dos consumidores dela.

 

Acredito em pesquisas, mas acredito ainda mais em feeling, em sair pro “front” e entender como a guerra funciona.  E aí eu volto pro texto sem teto. Vamos pensar mais no que as palavras significam, chega de imperativos sem identidade, chega de compre já, de só hoje. Vamos pensar minha gente. Se eu saio à rua pra comprar alguma coisa, tudo o que vejo são splashs e mais splashs ridículos com a mesma coisa. Cadê o emocional? Onde é que colocaram as palavras que escutávamos quando éramos crianças, falta emoção. Palavras simples que podem vender mais do que simplesmente uma caixa de som gritante na frente de um PDV.

 

Não sei porque, mas quando as mídias se personalizarem ao ponto de se tornarem uma espécie de ser humano, que comunique algo real e que toque o coração e as lembranças das pessoas, aí sim vamos chegar no estado de evolução das campanhas promocionais. Até então o que eu vejo, desculpem pela 1º pessoa, é só um bando de texto sem teto querendo me convencer de que a minha casa é o melhor endereço pra ele.

 

 

Rodrigo Bin

 

 

" Acreditar sempre e nunca perder a fé."

 

Comentários