Consumo, além das linhas racionais.

Já parou pra pensar no real sentido do consumo? Ou melhor, porque alguns consomem mais e outros, menos? Vou colocar de forma prática, por exemplo, sentimos medo, não? E quando sentimos medo, de ficar sozinhos por exemplo, o que fazemos? Ligamos pra um amigo, saímos de casa, passeamos, vamos a lugares movimentados, nos sentimos parte disso, e no fim, consumimos (ou não).

Estudos mostram que a carência é uma forma explorável do consumo.Sempre que entro neste assunto me lembro de cenas de novelas ou até mesmo em filmes, quando a pessoa está deprimida e pra baixo aí chega uma amiga (o) e lhe dá o famoso conselho, “vá tomar um banho de loja”, genial!! É isso, consumo vai além da necessidade básica de se vestir, de se alimentar, de se locomover, de se comunicar.

Receio que sofro de uma “patologia” semelhante a essas citadas, imagine comigo, todos iguais. Imagine a cena, você chegando numa festa e todos vestem a mesma camisa que a sua, frustrante? É pouco, prefiro dizer que fico perdido, que perco minha identidade, afinal, como vou me diferenciar? Como vou me destacar? Como serei reconhecido?

É aí que me lembro de marcas, que me lembro do que me diferencia das outras pessoas, não só por querer ser simplesmente diferente, mas com propósito de chegar muito próximo de quem realmente sou. Justamente nesse ponto chegamos ao signo e ao significado. O mais interessante num trabalho de identidade de marca é justificado por esses dois nomes. Signo é o que vemos, o que está exposto ao nosso sentido, por exemplo, visão. Já o significado trata da semântica, das associações que fazemos através do estimulo do signo, e está aí o segredo de se posicionar de forma perfeita um conceito, uma marca.

Todos temos ou tivemos boas e más lembranças em nossas vidas, vou mais fundo e arrisco dizer que mesmo inconscientemente somos capazes de nos sentir bem ou mal com nossos sentidos – aromas, sabores, sons – sabores que podem nos fazer lembrar da comida da vovó, daquele cachorro quente maravilhoso que comíamos na frente do colégio, aromas que nos remetem ao cheiro de algodão doce, um som de um pneu cantando pode trazer lembranças terríveis, ao mesmo tempo que um acorde de violão pode nos fazer lembrar de épocas com amigos e noites em claro cantando e nos divertindo.

Conseguem perceber como somos de certa forma “vítimas” de nossos próprios sentidos? Não, não se sintam incomodados, todos nós somos. Na verdade meu propósito nesse texto é o de aguçar a atenção pra novas formas de comunicação, às novas experiências vivenciadas por nós consumidores, são justamente esses fatores que estão sendo explorados de formas variadas e inteligentes. Caminhando uma vez pelo shopping Morumbi, passei em frente a uma loja de uma famosa marca de roupas e calçados esportivos (que de uns tempos pra cá acabou virando um produto “cool” ou “Cult”) e senti um aroma muito agradável. Aquilo me chamou a atenção e fez com que no mínimo eu passasse novamente em frente ao local. Vejam só, erva-cidreira, um cheiro delicioso. Eu achei o máximo, e acabei concordando que aquilo realçava ainda mais o estilo dessa marca.

Pois bem, vejam, sintam, ouçam, e cuidado, pois ninguém está salvo desses “pequenos” detalhes.

Comentários

Anônimo disse…
seu texto tem cheiro de narcisos... indecisos...
Unknown disse…
Os narcisos e indecisos também consomem,aliás muito diga-se de passagem, boa percepção sua sobre o texto.