Artigo publicado no site da About. dia 04/06/2007 de Adriana Nuneva.
No primeiro semestre do ano fiscal 2006/2007, a Heidelberg registrou aumento de 36% nas suas vendas globais de equipamentos e consumíveis para a indústria gráfica e expansão de 18% no número de pedidos. Na América Latina, os negócios foram ainda mais significativos, com crescimento de 36% em comparação ao mesmo período do exercício anterior. No Brasil, as previsões sinalizam a quebra de recordes de comercialização e encomendas.
Tais resultados, mais do que refletir a conjuntura positiva da economia internacional e seus reflexos nas nações latino-americanas, evidenciam que a comunicação gráfica, a despeito do advento e avanço das mídias cibernéticas e digitais, continua sendo imprescindível como disseminadora de informações, conhecimento, cultura, entretenimento, literatura, jornalismo, publicidade, propaganda e marketing.
As estatísticas da companhia alemã, líder mundial na fabricação e fornecimento de equipamentos de pré-impressão, impressão, acabamento, consumíveis e serviços para o mercado gráfico, são amostragem fidedigna para pôr fim ao ceticismo dos que acreditavam que a internet e outras mídias decretariam a paulatina agonia dos impressos.
Ao contrário de algumas previsões equivocadas feitas há algum tempo, percebe-se que, em números absolutos, o mercado gráfico cresce de modo expressivo, interagindo em perfeita harmonia com os meios digitais. Configura-se, com muita clareza, uma nova era nos processos comunicacionais. Hoje, quaisquer estratégias nesta área não podem prescindir de um conjunto de mídias para atingir com eficácia todos os públicos-alvos. Ademais, o papel sobre a tinta, como atestam especialistas de todo o mundo, conota imensa credibilidade e agrega sensações insubstituíveis ao ato de captar uma informação.
Essas constatações mudam sensivelmente o foco da discussão. Não há mais por que perder tempo divagando sobre a fictícia extinção da mídia impressa. O importante, concreto e real é analisar como utilizar as tecnologias disponíveis, cada vez mais avançadas, para acrescentar crescente valor e tornar o impresso item cada vez mais importante no mix da comunicação contemporânea.
O desafio factível nos equipamentos, impressoras, processos e materiais gráficos é tornar os impressos mais atrativos e com design inovador. É preciso utilizar o papel e as diversas tecnologias como plataformas para explorar os sentidos humanos dentro das mais variadas estratégias de comunicação. Harry Potter, a genial série de livros infanto-juvenis, com vendas que já se aproximam de 400 milhões de exemplares, é um grande exemplo de como é possível criar grandes fenômenos midiáticos com produtos impressos.
À criatividade, história atrativa e qualidade do texto somaram-se soluções gráficas excelentes, em distintos países, que muito contribuíram para o sucesso mundial da obra. O design, a qualidade da impressão, os efeitos especiais viabilizados pela tecnologia, como variações na intensidade do brilho do impresso conforme a incidência de luz, o verniz UV, a textura especial dos papéis e até o cheiro dos impressos contemporâneos são elementos que contribuem para emocionar, sensibilizar e facilitar a transmissão de informações. Dessa maneira, constituem-se em componentes importantes do processo de comunicação.
Na publicidade, em particular, tais características são muito relevantes, considerando a sensação lúdica de tocar o papel e também o aroma no impresso. Qual o valor disso, por exemplo, em uma publicidade de perfume?
Assim, o sucesso das gráficas no mercado contemporâneo está condicionado à sua capacidade de entender as transformações do mercado e utilizar de modo pleno as tecnologias disponíveis. Isso implica planejar de modo adequado os investimentos em atualização do parque impressor e o adequado preparo dos recursos humanos, como ocorre na Print Media Academy (PMA), em São Paulo, na qual a Heidelberg treina profissionais das empresas brasileiras e os alunos da Escola Senai Theobaldo De Nigris.
"As pessoas parecem acreditar mais no que lêem, vêem e tateiam nos impressos", diz o livro Interactivity by design - creating & communicating with new media, de Ray Kristof e Amy Satran. Os autores observam: "Por causa de sua idade e maturidade, a mídia gráfica tem o poder de atribuir credibilidade às informações. O impresso é um meio de expressão extremamente rico". Eu acrescentaria apenas uma observação: e cada vez mais desenvolvido pelas possibilidades infinitas da tecnologia.
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